E se o ambiente que deveria curar estivesse, silenciosamente, adoecendo o paciente?
Essa foi a provocação que nossa fundadora, Kátia Fugazza, levou ao Painel Regional da RFTV, do Grupo Record, a convite da diretora de jornalismo Noêmia Gomes. Uma conversa sobre um tema que segue pouco debatido no Brasil, mas que define, na prática, a diferença entre um hospital que cuida e um hospital que apenas abriga o cuidado.

Muito antes da verticalização hospitalar, a Grécia Antiga já tratava o ar, a luz e o descanso como agentes terapêuticos. Esse entendimento foi esquecido ao longo do século XX, período em que o hospital se consolidou como equipamento técnico e, em grande medida, se distanciou do corpo do paciente como espaço sensorial. Só começou a retornar nos anos 1980, com o design baseado em evidências.
O estudo de Roger Ulrich, publicado em 1984 na revista Science, é um marco dessa virada. Pacientes alocados em quartos com vista para áreas verdes apresentaram internações mais curtas, menor consumo de analgésicos e menor demanda por ansiolíticos em comparação aos que observavam paredes cegas. A única variável controlada no estudo era o que se via pela janela.
Hoje, a neuroarquitetura e a psicologia ambiental avançam sobre esse terreno com densidade crescente de evidência, reunida em acervos como o do Center for Health Design. Curvas em lugar de cantos agressivos, cores quentes em áreas de permanência prolongada, janelas operáveis, controle acústico rigoroso, distrações positivas em salas de espera e ambientes de recuperação. Nenhuma dessas decisões pertence ao território da estética. São escolhas clínicas com impacto mensurável em desfecho terapêutico, tempo de permanência e bem-estar das equipes assistenciais.
Na entrevista, nossa fundadora também tratou da lógica econômica da humanização, ponto que segue recebendo menos atenção do que merece nas conversas de investimento em saúde. O hospital oncológico pediátrico certificado em Curitiba é um caso que ela costuma citar. Os números acompanham a narrativa: payback real em tempo de internação, consumo energético e custo de manutenção. Humanização deixa de ser gasto simbólico e passa a integrar a performance econômica da instituição.
Ela compartilhou ainda uma experiência que sempre retoma. Durante a pandemia, foi chamada a reformar um ambulatório público de cem metros quadrados. Recurso escasso, prazo curto, pressão assistencial máxima. A escolha foi simples e deliberada: um arco-íris pintado nas paredes. Seis anos depois, ele segue ali. Nos corredores, nas fotografias dos pacientes, nos relatos das famílias que voltam ao serviço.
A mensagem que atravessa a entrevista é direta e cabe em três frases. Humanizar é técnico. É econômico. É, sobretudo, uma decisão de gestão.
Convidamos você a assistir à conversa completa:
https://youtu.be/LMh2AxWeZLw
